Quem brincou com peças de lego? Quem não teve uma caixa de lego, montou uma casa, um carro, as formas mais disformes e coloridas possíveis que a nossa imaginação de criança permitiu. Quem não tropeçou numa caixa ou num balde de legas e pufff ...peças de lego pelo chão todo! Acho que ninguém.
Pois é, os tempos mudam, o kit de brinquedos disponível explodiu, o formato de interação mudou, os preços desceram com a globalização, a concorrência digital foi (e é) feroz, e com estas contingências também a Lego se adaptou. Aumentou a possibilidade de diversão com inúmeras variantes, para crianças e adultos, sempre na mesma filosofia: peças de plástico, encaixáveis, diferentes formas, tamanhos e cores, etc. Passou a produzir para além de Lego generalista e infantil, os legos técnicos (linha Technic por exemplo, peças deixaram de ser apenas cúbicas e grosseiras, mas técnicas e rigorosas, foram aplicados acessórios (pequenos motores, etc.), a panóplia de artigos aumentou muito substancialmente. Mas as vendas não acompanharam o aumento dos custos em Design e Produção, o que colocou a empresa familiar dinamarquesa em dificuldades. Foi necessário gerir a eficiência, inovar nos produtos, nas alianças estratégicas e hoje a Lego voltou aos seus tempos áureos. Foi necessário atuar estrategicamente e recuperar a empresa. Como?
Recolhi este artigo do Linkedin (Pandit, Prashant, Set 25, link abaixo) que descreve muito sucintamente o desafio e o modus operandi cirúrgico para efetuar um Turnaround bem-sucedido e fazer de novo com que a Lego seja sustentável e rentável. Para bem de todos nós.
Por se tratar da empresa que é, do quanto nos toca a todos, além de reagir publicamente nessa rede social, resolvi partilhar o artigo neste Blog, dado o bom exemplo que nos traz em temática de gestão e sustentabilidade, muito cara à PR Lean Consulting.
Given the significance of this company and how much it resonates with us all, I decided not only to respond publicly on that social network but also to share the article here on this Blog, as it provides an excellent example on management and sustainability — topics of great relevance to PR Lean Consulting.
Não é apenas uma questão de cultura organizacional. É também uma questão de como somos feitos. O nosso cérebro reage com mais força ao que ameaça, ao que pode correr mal. E no trabalho, um erro pode significar muito — uma perda, uma crítica, uma oportunidade desperdiçada. Por isso, é natural que se corrija depressa, que se analise, que se fale. Mas o que é feito com cuidado, com excelência, com coração… muitas vezes não recebe nem um “obrigado”.
E isso dói. Dói a quem dá o melhor de si todos os dias. Dói a quem tenta, a quem acerta, a quem constrói. Porque quando o reconhecimento não chega, instala-se o vazio. O colaborador começa a sentir que não importa. Que o seu esforço é apenas obrigação. Que só será notado se falhar.
As empresas, sem querer, alimentam este ciclo. Os sistemas de avaliação focam-se no que falta. O feedback aponta o que precisa de melhorar. E mesmo quando os resultados são bons, há sempre um “mas”. Esta forma de olhar, embora bem-intencionada, pode sufocar. Pode transformar ambientes em lugares de medo, onde errar é perigoso e acertar é apenas o mínimo.
Os erros devem ser reconhecidos e tratados com responsabilidade. Mas só não erra quem não tenta fazer algo e a iniciativa é uma qualidade bastante apreciada. Só não erra que não faz algo. Errar pode e deve ser visto, nas organizações, como uma forma de aprendizagem mais que uma falha. As falhas, sobretudo quando são publicas, potenciam a "punição" do grupo e a motivação para novas iniciativas. No entanto devemos estar cientes do potencial de falha quando realizamos experiências e saber como mitigar os erros decorrentes. O problema não é errar, é errar sem ter uma rede de segurança, é agir numa área absolutamente desconhecida, é precipitar-nos porque temos que "mostrar resultados". Acima de tudo temos que ser responsáveis.
Num mundo empresarial marcado pela velocidade e pela constante mudança, errar deixou de ser um tabu — e passou a ser uma oportunidade. Quando uma organização abraça os erros como parte natural do processo de aprendizagem, algo poderoso acontece: nasce a inovação, refinam-se os processos e constrói-se uma resiliência que não se abala facilmente.